domingo, 23 de setembro de 2012

Lembranças.



Lembranças. Pequenos momentos do passado que ainda vivem em nós. A maior prova disso é que não escolhemos a hora em que vivem ou que partem. As vezes nós precisamos que o sentimento cesse, mas o triste detalhe que é que isso foge á nosso controle... Porém, as vezes, nós podemos sim revivê-las. Reviver lembranças tristes. Triste escolha que nossas mentes insanas e sadomasoquistas tomam na tentativa de nos sabotar.

Não gosto de lembrar de minha infância. Talvez porque muitos dizem ser a melhor época da vida – e eu discordo. Uma vez insinuaram-me que tal opnião fosse fruto da visível ingenuidade que cobre tal época da vida e deixa os pequenos alheios ao verdadeiro sentimento dela. Na verdade, isso é o que eu mais admiro nesta fase. Mas talvez eu não goste deste assunto pois não encontro essas características em minhas memórias. Não tive uma grande perda ou algo do tipo. Não! Na verdade, tive sim. Talvez esse seja o problema: Comecei a perder a mim mesma desde cedo.

Nunca tive uma mente muito comum. Ficava imaginando cenas trágicas que poderiam acontecer a qualquer momento diante de meus olhos, mesmo que os indícios fossem de estabilidade. E esses pensamentos nunca deixaram minha mente, o que me deixava paranóica. A noite, ouvia vozes que pareciam poderiam surgir a todo instante, e a impressão de que o mal me rondava. Na verdade, o desespero o fazia. A imagem de uma menina agonizando pela solidão em baixo dos lençóis fazia parte da rotina... E talvez a imagem mais presente a minha mente. Até mesmo que a garrafa, um cigarro e uma mulher chorando. Um brinquedo que não pude comprar e um carinho negado. A mágoa destes já deixara meu coração a muito tempo – mas o tormento da lembrança não permite que eu entre em detalhes. Mas meu perdão á isso tudo é notável. E sincero. Mas a solidão... A solidão não me desagrega nunca.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva promovida no Depois dos Quinze

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A gente.



A cada segundo sem me controlar
Já retorna minha mente
Ao assunto que á mim se tornou o mais recorrente
Ao qual todas as vezes que me recordo se tornou comum perder o ar.

E eu torno a recordar 
Os momentos entre a gente.
Os seus lábios, suavemente,
sobre os meus a repousar.

E mesmo quando eu costumava sonhar
Não imaginava felicidade mais inerente, 
Na qual a memória simplesmente
Faria o sorriso no meu rosto transbordar.

Que se faz tornar
Uma luz em minha alma
Que me faz acreditar
Em uma futura melhora.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Passado Presente





O mundo se esvai dentre meus dedos
Enquanto meus olhos sangram os tormentos do meu coração.
Isto dificulta, mas não impede que eu detenha minha atenção
aos movimentos que agem sob o céu, maliciosos e ligeiros.

Um garoto apessado me leva de encontro ao chão.
Está ocupado imaginando como conseguir o que quer pronto.
E eu apenas examino a cena: o fatídico encontro.
E de repente, a não ser pela magoa, tudo desapareceria em uma fuga subita.

A criança nasce por adentro meu olhar
"E uma linda menina" é uma fala que deveria transbordar afabilidade.
Ela cresce e em uma formosa vestimenta toma intimidades
de toda essa pressa inimiga, que quis sobre o mundo se deitar.

Mas em seu deleite, esqueceu a meu carmim.
E sua dona, alheia a todo esse tempo diligente,
Paralela em volta por essa penumbra abstinente,
Observando ao mundo. Observando-o seguir sem a mim.


Poema antigo.